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Notícias
do Setor Habitacional Tororó
Com licença do Ibama
Da equipe do Correio
Correio Braziliense
25/8/2006
Condomínio
Parcelamentos recebem do órgão lista de regras para se adequar
às normas ambientais. É o primeiro passo para a regularização
da área
Luísa Medeiros
Depois de quatro anos de criação, o Setor Habitacional Tororó,
próximo a São Sebastião, receberá a primeira
licença ambiental. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) assina hoje o documento que define
normas para ocupação da área de 1,4 mil hectares.
É o primeiro passo para regularizar os cerca de 10 condomínios
instalados e os 30 parcelamentos previstos para serem construídos.
Para avançar no processo de licenciamento do bairro, no entanto,
os moradores terão que cumprir algumas exigências. Por enquanto,
está proibida a construção de casas e de obras de
infra-estrutura, mas os projetos devem ser elaborados.
Há 10 anos, o Setor Habitacional
Jardim Botânico recebeu a licença prévia (LP) –
primeira etapa do licenciamento – da Secretaria de Meio Ambiente
e Recursos Hídricos (Semarh). Desde então, nenhum outro
bairro do Distrito Federal recebeu o documento, emitido após análise
do estudo e relatório do impacto ambiental da área (EIA/Rima).
Antes, cada condomínio tinha um processo de licenciamento. Mas
a tendência é agrupar os parcelamentos para agilizar a legalização.
“A mudança de estratégia permite avaliar a situação
de toda área e planejar a ocupação de forma mais
global”, afirma Francisco Palhares, superintendente do Ibama, dizendo
que é a primeira vez que o órgão adota essa postura
no DF.
A licença prévia
atesta a viabilidade ambiental do empreendimento, mas define regras para
a instalação. Para conceder o documento, o Ibama pontuou
33 exigências que devem ser cumpridas pelos moradores (veja quadro).
O que diferencia o Tororó dos outros bairros é que apenas
10% da área está ocupada irregularmente, cita o geólogo
Cristiano Gourlart, dono da GeoLógica, empresa responsável
pela elaboração do EIA. “Por causa das unidades de
conservação no local existem várias restrições
para o crescimento. O setor tem tudo para ser modelo de ocupação”,
acredita ele.
Parcelamento
O licenciamento da área pode acelerar a regularização
dos condomínios na região. Se as condicionantes estiverem
contempladas nos estudos e nos projetos feitos, anteriormente, em cada
parcelamento, o Ibama poderá conceder a licença de instalação
– que permite o início das obras de infra-estrutura. Com
a segunda licença, os lotes podem ser legalmente vendidos. Este
é o desejo da síndica do condomínio ecológico
Parque Mirante, Maria José de Andrade, 36 anos. O parcelamento
existe desde 1990, tem 360 lotes, mas apenas metade está ocupado.
O casal Adelino Lopes dos Santos, 47, e Maria do Socorro Leite, 41, vivem
há quatro anos no parcelamento. Eles aguardavam um sinalização
do andamento do processo de regularização para fazer melhorias
na casa. Além disso, o casal espera uma contrapartida do governo
para o início de obras nas terras particulares do Tororó.
Por outro lado, a síndica do condomínio Privê Lago
Sul, Jussara Zakarewicz, 50, não está tão confiante.
“Não acho que a concessão da licença vai mudar
muita coisa”, analisa.
A construção de obras
de infra-estrutura e projeto urbanístico do setor, no entanto,
não compete ao GDF, segundo Thais Waldow, subsecretária
de Parcelamentos Urbanos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação
(Seduh). Ela informou que o decreto que cria o setor não toca no
assunto, mas foi feito um projeto para o sistema viário do Tororó.
Cabe a pasta, segundo ela, apenas reformular a proposta e encaminhar às
concessionárias (CEB, Caesb, Novacap) o pedido para elaboração
dos projetos de infra-estrutura. “Mas teremos que conversar com
os moradores sobre destinação de áreas para a criação
de um centro que atenda o setor”, diz.
EXIGÊNCIAS
# não construir nenhum tipo de obra (infra-estrutura, moradia)
# fazer projeto urbanístico do setor
# não destruir vegetação nativa e próxima
a curso d’água
# construir sistema de recarga de aqüífero
# usar poços tubulares e cisternas até 2010
# respeitar a taxa de impermeabilização do solo de 40%
# fazer um programa de recuperação dos córregos
Data: 24/11/2005
Novo setor habitacional
Região ganhará mais
22 parcelamentos. Notícia não agrada parte dos moradores
atuais, que temem poluição e perda de qualidade de vida
Helena Mader
Da equipe do Correio
Um novo bairro para a classe média do Distrito Federal está
prestes a sair do papel. O Setor Habitacional Tororó, próximo
a São Sebastião, deverá ganhar mais 22 condomínios
e 30 mil moradores. A ampliação só depende da aprovação
do estudo de impacto ambiental da região. Nos próximos 30
dias, o Instituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Hídricos
(Ibama) vai emitir o parecer sobre a viabilidade da ocupação,
e funcionários do órgão ambiental já sinalizaram
que a licença prévia deve mesmo ser liberada.
A novidade não agradou a muitos moradores da região. Eles
temem que a ocupação do setor habitacional comprometa os
mananciais da área e a qualidade de vida da população
que já está no local. Atualmente, há cerca de 10
mil pessoas morando em 15 condomínios da região. “Existe
uma pressão imobiliária muito grande, mas é preciso
evitar a poluição e a ocupação desordenada
no Tororó. A área não suportaria 120 poços
artesianos, como prevê o estudo de impacto ambiental”, reclama
Ros’Ellis Moraes, da Associação dos Amigos do Tororó.
No último dia 3, o Ibama realizou uma audiência pública
para discutir o estudo de impacto ambiental com os moradores do setor
habitacional. A população teve 15 dias para apresentar sugestões
ao projeto e agora o órgão ambiental vai ANAlisar as propostas
dos moradores. “Não deve haver entraves para a aprovação
da licença prévia. Provavelmente será preciso fazer
ajustes à legislação ambiental e desconstituições
em algumas áreas. É necessário aguardar a análise
dos estudos”, explica o chefe da Divisão Técnica do
Ibama, Michel Kawashita.
Preços competitivos
O Setor Habitacional Tororó tem 1,3 mil hectares e os terrenos
devem ser regularizados em curto prazo. A cadeia dominial está
completa e a venda das áreas ocupadas irregularmente pode ser feita
em breve. Os terrenos no local devem custar, em média, 40% menos
do que uma área similar no Lago Sul, e os empreendedores esperam
apenas a aprovação das licenças ambientais para começar
a construir novos condomínios na região. “A demanda
é muito grande, porque a área é bastante valorizada.
Os terrenos serão vendidos a particulares, mas pretendemos também
fazer edificações e vendê-las prontas aos interessados”,
explica Luiz Carlos Pietschmann, presidente da Associação
de Empreendedores do Tororó.
O setor habitacional tem hoje cerca de 40 poços artesianos, muitos
deles clandestinos. O estudo de impacto ambiental elaborado pela empresa
Geológica estabelece que haja no máximo 128 poços
na área. Para compensar futuros desmatamentos, o projeto ambiental
prevê a criação de viveiros de mudas na região
dos novos condomínios.
Fonte: CORREIO BRAZILIENSE (DF), CIDADES, 24/11/2005
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